quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os "intocáveis"

      O sistema de castas da Índia é uma divisão social da sociedade Hindu (não apenas na Índia, mas no Nepal e outros países e populações da mesma religião).
       Segundo essa organização social as pessoas eram classificadas de acordo com a cor da pele e o grupo em que nasciam. A primeira menção escrita às castas aparece num livro sagrado hindu, as Leis de Manu, segundo ele se define casta como "um grupo social hereditário, onde as pessoas só podem casar-se com pessoas do próprio grupo, e que determina também sua profissão, hábitos alimentares, vestuário e outras coisas, induzindo à formação de uma sociedade sem mobilidade social". Com o tempo, estabeleceram-se quatro castas principais e também os párias ou "intocáveis", que não pertenciam a nenhuma casta. Segundo a história as castas foram definidas a partir do corpo de Brahma (criador do universo) e são elas:
  • A cabeça (Brâmanes) representa os sacerdotes, filósofos e professores;
  • Os braços (Xátrias) são os militares e os governantes;
  • As pernas (Vaixás) são os comerciantes e os agricultores;
  • Os pés (Sudras) são os artesãos, os operários e os camponeses.
  • A poeira sob os pés (Dalit ou "intocáveis)" não foi originada do corpo de Brahma, por isso não pertence às castas, é constituída por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertenciam, são considerados impuros, por isso as pessoas não os tocam.
       As relações nesse sistema são muito rígidas, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema.Isso pode ser verificado pela hereditariedade (a casta é passada de pai pra filho), casamento só entre membros da mesma casta, regras relacionadas à alimentação e proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores.
       Em teoria, o sistema de castas foi abolido por decreto em 1947 e posteriormente adicionado a constituição de 1950, mas é bastante óbvio que a religião e a crença dominam a política do país. Mesmo que existam leis "proibindo" essa descriminalização ela pode ser facilmente observada e ninguém (das castas superiores) parece se importar em implementá-las, nem mesmo as autoridades responsáveis.
       Enquanto isso, as pessoas continuam vivendo sem nenhuma previsão de mundo melhor, pois a rigidez do seu sistema impede que elas tenham alguma chance de melhorar sua vida através do trabalho, ou qualquer outro meio.
        A minha crítica a esse sistema de organização social é que as pessoas usam a religião como uma forma de mascarar seus preconceitos. A religião deveria trazer conforto, dar um sentido a vida que levamos e não ser uma série de regras sobre como viver. Muitas pessoas (alguns candidatos a PRESIDÊNCIA) usam esse discurso hoje. Utilizando a religião como forma de segregação, disfarçando seus próprios preconceitos com as diretrizes da igreja.
      O preconceito é muito importante na estratificação social, pois as pessoas são impedidas de se misturarem de acordo com a roupa que usam, celular, bairro onde moram, emprego... Mesmo que o nosso sistema de organização, hoje, seja basicamente em classes de acordo com a renda, o preconceito ainda é um grande divisor da sociedade e nós, que tanto julgamos os indianos, fazemos o mesmo, mas nossas castas tem outros nomes.
          As relações nesse sistema são muito rígidas, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema.Isso pode ser verificado pela hereditariedade (a casta é passada de pai pra filho), casamento só entre membros da mesma casta, regras relacionadas à alimentação e proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores.







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