quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

     Postagem de Tiago Saldanha.
  Uma das maiores questões de nossa época seria como o desenvolvimento das sociedades se sucedeu com tanta diversidade em termos de diferença de riquezas e bens de tecnologia. Por um lado temos sociedades desenvolvidas historicamente com crescimento abrupto de tecnologia e populações mais engajadas na busca de crescimento econômico, em outro temos pequenas comunidades que não tiveram toda esta estruturação complexa. Esse tema é representado no livro Guns, Germs and Steel de Jared Diamond que constrói uma lógica envolvendo fatores da evolução da humanidade.
       O filme documentário baseado no livro Armas Germes e Aço (Destino das sociedades Humanas) traz essa elaboração crítica na qual se busca entender como se responde a pergunta feita por um dos moradores de Papua Nova Guiné, quando esse pergunta ao cientista, o porquê de algumas pessoas como os brancos americanos terem tantas coisas, e o porquê  deles moradores de Papua Nova Guiné não chegarem nem perto de toda aquela quantidade imensa de produtos. A pergunta que este faz é desafiadora na medida em que à época, ninguém havia sugerido uma amostra de como se responderia a ela, ou seja, uma resposta imediata não era possível ainda, não se tinha todos os parâmetros de que necessitava o cientista, e desta necessidade surgiram todos os questionamentos na cabeça de Diamond que começa sua busca para entender melhor a ideia por detrás de uma pergunta que, de simplória não havia nada. Se por um lado temos sociedades que se desenvolveram com muita rapidez, como os gregos e romanos na Europa, por outro temos pequenos grupos que não conseguiram chegar ao mesmo nível de desenvolvimento material.
       O filme faz também uma avaliação de como os conquistadores do novo mundo puderam obter sucesso em dominar os povos que viviam nas Américas, estes menos desenvolvidos em armamento, além de não possuírem defesas contra germes ou doenças - bem como representa o título do documentário-. O mesmo aconteceu com o período colonial na África e com as ilhas do pacífico, onde os povos nativos não conheciam toda gama do poderio europeu.
       Em sua análise o autor reconhece que foi a geografia dos locais de implantação das sociedades que determinou os rumos para uma maior ou menor velocidade de desenvolvimento. Enquanto em alguns locais o clima e a região demandavam maiores esforços e preparos por parte dos habitantes, em outros o clima tropical não demandava tanto planejamento. Pois esse planejamento foi primordial para os avanços em agricultura, onde existiam as estações do ano bem definidas, além de a subsistência envolver outros fatores como a pecuária. Além disto, com maiores contingentes de trabalho humano para a produção dos alimentos, os habitantes repensaram outras tantas vezes como as parcelas da sociedade mantinham papéis mais ou menos definidos perante o processo produtivo e de trabalho, para daí surgir o excedente de produção e assim alocar este excedente. Os grandes povos que iam se formando também se relacionavam mais fortemente uns com os outros, de maneira a fazer trocas de conhecimento e de produção e assim consequentemente mantinham trocas mercantis. Os relacionamentos quando em crise insurgiam em guerras de grandes proporções e para essas guerras desenvolveram-se técnicas de produção armamentista além do uso do aço importante para o armamento nas batalhas. Os povos indígenas tiveram também trocas entre si, mas não conheciam a geração de bens como a cultura germânica, romana e dos povos antigos da mesopotâmia, Egito e Ásia construíram com o tempo, com exceção dos maias, astecas e Incas que embora bem desenvolvidos, não conseguiram explorar os mesmos grandes avanços dos que viviam do outro lado do oceano. O problema com o choque cultural que envolveu esses povos foi a relação de poder que os europeus impuseram nos índios que acabou por destruir os nativos das Américas. Uma vez que esses não possuíam uma sociedade de força bélica e assim não possuírem defesas contra os conquistadores. Embora não fossem tão povoados, estas civilizações tinham conhecimentos herdados dos antepassados que foram evoluindo e traziam um bem cultural humano incrível. Obviamente que os europeus subestimaram esses recursos culturais e não se sabe o quanto se perdeu com a trágica historia deste encontro de diferentes civilizações que tinham às suas épocas, prioridades diferentes e capacidades diferentes de se manterem como sociedades. Enquanto os europeus possuíam maior organização em termos de burocracia para uma comunidade que produzisse bens, os indígenas mantinham uma relação mais próxima com o ambiente que os cercava, no qual conheciam plantas e remédios, técnicas diferentes de produção agrícola, além de conhecimentos matemáticos, astronômicos e até já construíam pirâmides.
      Possivelmente se perderam anos de avanços tecnológico com esse processo destrutivo, embora algumas técnicas foram rapidamente aprendidas nos contatos posteriores pelos europeus, como a produção da batata e outros produtos agrícolas, muito do capital humano se perdeu infelizmente, e apenas houve redescobrimento daquilo que os nativos das américas já conheciam recentemente. O povo que consegue manter sua cultura consegue manter a autoestima alta e gera externalidades positivas entre si, sendo mais produtivo para ele e também com os próximos, mesmo quando encontram outros vínculos para com outras sociedades que possuam economias de focos distintos. Se os europeus tivessem encontrado uma forma mais branda de impacto nas formas de trabalho dos indígenas, talvez um vínculo criado fosse benéfico para ambos, mas tamanha diferença de crenças os manteve fixados numa relação exploratória que secou a capacidade de geração de conhecimento dos povos que ali entraram em contato.

Link documentário: https://www.youtube.com/watch?v=3njjweyJbKk

sábado, 8 de novembro de 2014

Sociedade total

     Na idade média surgiram os manicômios e os sistemas prisionários, com o discurso de disciplinar os indivíduos considerados como não socializáveis. Essas instituições, ao serem estudadas com mais detalhes, receberam o nome de instituições totais e caracterizam-se principalmente por serem estabelecimentos fechados, funcionando sobre regime de internação, onde um vasto grupo de pessoas internadas ficam subordinadas a um grupo menor que dirige autoritariamente a instituição.
    Os recém-chegados são privados de sua "percepção do eu" e de sua individualidade enquanto pessoas, sendo "reconstruídos" de acordo com as regras da instituição. Removem-se os objetos pessoais e neutralizam-se oss traços identificadores, as roupas são trocadas por uniformes regulamentares. O recluso é lembrado, de várias formas, de que não é mais a mesma pessoa que era antes.
    As rotinas diárias são planejadas e supervisionadas pelos empregados, que tem autoridade para punir e recompensar os residentes de acordo com o grau de obediência que eles demonstrarem.
    Podemos considerar que a própria sociedade é uma grande instituição total, afinal todos somos influenciados a reprimir nossas diferenças para nos adaptarmos ao desejo da maioria. Somos privados da nossa individualidade e reconstruidos de acordo com as regras da sociedade. Todos devemos usar as mesmas roupas, seguir o mesmo padrão. Os funcionários seriam aqueles que julgam os outros por serem diferentes. As pessoas que vivem segundo as regras são aceitas e se sentem pertencentes do todo e aquelas que fogem das regras são excluídas e até mesmo punidas fisicamente.
    Acredito que podemos aplicar essa definição na sociedade, afinal não temos para onde fugir e desde a infância somos treinados para seguir as regras. Claro que também somos livres para expressar nossa individualidade, podemos fazer qualquer coisa, mas estamos sujeitos a reação da sociedade. Meninos que usam saia são ridicularizados, homossexuais são agredidos nas ruas, muitos são excluídos por estarem acima do peso, por não usarem as roupas da moda, por não terem o último celular...
    Todas essas "punições" da sociedade acabam fazendo com que as pessoas procurem se adaptar ao que a maioria considera certo. Perdemos nossa individualidade, agora fazemos parte do exército de pessoas iguais.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Stress/Estresse O Mal do Século, Como Administrá-lo?

Caro Leitor!
     
  Pare para pensar quantas vezes você disse: “Hoje eu tô muito estressado(a)? Quantas vezes você falou “Nossa meu trabalho é muito estressante! Ou até mesmo -Vou evitar fazer algo porque isto me estressa demais? Pois é, o que já foi reconhecido pela medicina como doença, hoje é visto apenas como um adjetivo de que algo não vai bem, ou uma pessoa que esteja passando por um breve momento de irritabilidade, mas para resumir tudo dizemos apenas que o comportamento se baseia no dito “estresse”.
          Este mal afeta tanto os homens quanto as mulheres, prova disso é o resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo sociólogo suíço Johannes Siegrist, que após 20 anos estudando este mal, concluiu que um dos maiores fatores para o desencadeamento do estresse na atualidade é o resultado do desequilíbrio entre esforço e recompensa e que os trabalhadores que se sentem mal remunerados ou não reconhecidos pelo chefe têm duas vezes mais chance de sofrer de males como estresse, ansiedade, depressão e até infarto. Professor de sociologia médica e diretor do curso de pós-graduação em saúde pública da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, Siegrist afirma que os prejuízos decorrentes do desequilíbrio entre esforço e reconhecimento também podem ser observados em outros aspectos da vida, como a relação familiar, conjugal e escolar: – Apesar de o estudo ser voltado para o ambiente de trabalho, incluindo atividades voluntárias, a relação entre esforço e recompensa está no dia a dia, em qualquer relação interpessoal. Embora ainda seja subdimensionada por grande parte dos gestores, a necessidade de recompensa é um dos fatores mais valorizados mundialmente.
          De acordo com a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association (Isma-BR), a falta de valorização afeta a autoestima da pessoa, fazendo com que ela se torne o passivo agressivo. Também afeta a autoconfiança, a fazendo se sentir incompetente, definitivamente, afeta o nível de motivação e satisfação – analisa. Em alguns casos, a depressão se torna a evolução do estresse gerado pela falta de motivação no trabalho e nas relações pessoais. Ana Maria argumenta que o prejuízo ocorre tanto do lado da pessoa quanto da empresa. O funcionário tende a adoecer. Já para a empresa, o resultado é a falta de qualidade, erros e o surgimento do presenteísmo, quando o funcionário está presente fisicamente, mas emocionalmente distante.

Confira abaixo 5 dicas preciosas para saber como lidar/administrar este mal:

1º- Pratique exercícios físicos com mais frequência (As atividades físicas ajudam a esquecer as preocupações diárias e ainda fazem bem à saúde, pois inibem as reações adversas causadas pelo estresse, como a perda de energia.):
2º- Tire um pouco o pé do acelerador (É importante identificar as fontes de estresse e fugir delas):

3º- Reserve mais tempo para o Lazer (Lembre-se “Tempo livre para você, não é sinônimo de tempo perdido”):


4º- Evite deixar muito trabalho acumulado e para realizar de última hora (O hábito brasileiro de deixar tudo para a última hora deve ser evitado com a programação das tarefas e compromissos):

5º- Sempre tenha em quem confiar (Aquele ombro amigo, que você possa contar sempre, as pessoas precisam de confidentes, para que desabafem suas preocupações ou simplesmente conversem. Claro que não deve confiar em qualquer um, mas também não é preciso se isolar):


Espero que tenham curtido a postagem, e utilizem estas dicas super importantes para ter uma vida cada vez mais TRANQUILA!!!              
                                               

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os "intocáveis"

      O sistema de castas da Índia é uma divisão social da sociedade Hindu (não apenas na Índia, mas no Nepal e outros países e populações da mesma religião).
       Segundo essa organização social as pessoas eram classificadas de acordo com a cor da pele e o grupo em que nasciam. A primeira menção escrita às castas aparece num livro sagrado hindu, as Leis de Manu, segundo ele se define casta como "um grupo social hereditário, onde as pessoas só podem casar-se com pessoas do próprio grupo, e que determina também sua profissão, hábitos alimentares, vestuário e outras coisas, induzindo à formação de uma sociedade sem mobilidade social". Com o tempo, estabeleceram-se quatro castas principais e também os párias ou "intocáveis", que não pertenciam a nenhuma casta. Segundo a história as castas foram definidas a partir do corpo de Brahma (criador do universo) e são elas:
  • A cabeça (Brâmanes) representa os sacerdotes, filósofos e professores;
  • Os braços (Xátrias) são os militares e os governantes;
  • As pernas (Vaixás) são os comerciantes e os agricultores;
  • Os pés (Sudras) são os artesãos, os operários e os camponeses.
  • A poeira sob os pés (Dalit ou "intocáveis)" não foi originada do corpo de Brahma, por isso não pertence às castas, é constituída por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertenciam, são considerados impuros, por isso as pessoas não os tocam.
       As relações nesse sistema são muito rígidas, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema.Isso pode ser verificado pela hereditariedade (a casta é passada de pai pra filho), casamento só entre membros da mesma casta, regras relacionadas à alimentação e proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores.
       Em teoria, o sistema de castas foi abolido por decreto em 1947 e posteriormente adicionado a constituição de 1950, mas é bastante óbvio que a religião e a crença dominam a política do país. Mesmo que existam leis "proibindo" essa descriminalização ela pode ser facilmente observada e ninguém (das castas superiores) parece se importar em implementá-las, nem mesmo as autoridades responsáveis.
       Enquanto isso, as pessoas continuam vivendo sem nenhuma previsão de mundo melhor, pois a rigidez do seu sistema impede que elas tenham alguma chance de melhorar sua vida através do trabalho, ou qualquer outro meio.
        A minha crítica a esse sistema de organização social é que as pessoas usam a religião como uma forma de mascarar seus preconceitos. A religião deveria trazer conforto, dar um sentido a vida que levamos e não ser uma série de regras sobre como viver. Muitas pessoas (alguns candidatos a PRESIDÊNCIA) usam esse discurso hoje. Utilizando a religião como forma de segregação, disfarçando seus próprios preconceitos com as diretrizes da igreja.
      O preconceito é muito importante na estratificação social, pois as pessoas são impedidas de se misturarem de acordo com a roupa que usam, celular, bairro onde moram, emprego... Mesmo que o nosso sistema de organização, hoje, seja basicamente em classes de acordo com a renda, o preconceito ainda é um grande divisor da sociedade e nós, que tanto julgamos os indianos, fazemos o mesmo, mas nossas castas tem outros nomes.
          As relações nesse sistema são muito rígidas, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema.Isso pode ser verificado pela hereditariedade (a casta é passada de pai pra filho), casamento só entre membros da mesma casta, regras relacionadas à alimentação e proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores.







sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mais-valia



Queridos leitores! 

Durante as aulas de Sociologia Aplicada à Administração também trabalhamos sobre grandes autores, entre eles Karl Marx. Dentre suas teoria irei falar sobre a Mais Valia.

No link a baixo é sobre o trabalho de conclusão dos alunos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que concorreu ao prêmio de melhor curta metragem no festival Anima Mundi 2011, no Festival do Cinema Nacional de Brasília entre outros festivais. 




O curta metragem retrata o que  Karl Marx apontou como abismo socioeconômico, que  poderia ser explicado pela teoria da mais-valia. Critica feita por ele ao capitalismo, representando a exploração capitalista dos trabalhadores e os baixos salários oferecidos aos operários. Segundo sua teoria Mais-Valia refere ao número de horas de trabalho que o proletário produz, além daquele efetivamente pago pelo empresário capitalista, que seria a base da exploração no sistema capitalista, onde há uma parcela que o capitalista se apropria do empregado. A exposição dessa teoria foi um dos meios pelo qual Karl Marx provou que as relações de trabalho no mundo capitalista tinham caráter exploratório, o que fez com que vários operários lutassem por condições melhores de trabalho e por salários mais dignos, e conseguir ter uma qualidade de vida melhor. Apesar de ser uma teoria antiga, podemos ver nos dias atuais, a cena retratada pelo curta metragem.


Espero que gostem e até outras postagens.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Estratificação Social - Filme B-13

Olá leitores!

Essa semana a temática abordada nas aulas de Sociologia Aplicada à Administração foi "Estratificação Social". Para descontrair e gerar uma reflexão aliada à diversão, venho indicar um filme que lembrei durante as explicações e discussões trazidas para a sala de aula.

Trata-se de um filme francês repleto de ação, o Banlieue 13 (em português, B13 - 13º Distrito). Apesar das frequentes cenas de ação, o filme nos convida a uma reflexão sobre a estratificação social e sua relação com o poder. B-13 é de 2004, mas suas cenas se passam na futurista Paris de 2010. Em razão do aumento descontrolado da criminalidade na cidade, o governo autoriza a construção de muros altíssimos ao redor de cada distrito considerado perigoso em Paris - entre eles, o B-13. O distrito retratado é considerado o mais perigoso de todos, onde sequer é policiado; muito pelo contrário, é totalmente controlado por traficantes poderosos que mantém a ordem de acordo com suas próprias leis. A situação no bairro tem se mostrado fora de controle, então, em uma espécie de atentado, é implantada uma bomba nuclear com a finalidade de destruir o bairro e solucionar o problema da segurança pública. Segue o trailer:


A partir da realidade ilustrada no filme, é possível notar que ela retrata uma visão futurística da estratificação social, seguindo no sentido contrário à evolução da humanidade. A ideia de isolar e excluir toda uma camada da sociedade é resgatada das práticas da antiguidade, com um tom de ideologias utópicas e com pouca mobilidade social. A desigualdade acaba, então, sendo o principal aspecto percebido no filme, evidenciada pela relação de poder entre os governantes e o povo. Nota-se que os governantes têm poder de controle externo absoluto sobre as áreas excluídas, e quando percebem que a situação do B-13 pode se espalhar pela capital buscam a solução mais rápida e drástica - exterminar o distrito.

Dessa forma, por diversos aspectos torna-se um filme que, além de divertido, promove certa reflexão sobre os rumos da sociedade e os riscos que o excesso de poder pode causar.

A finalidade desta postagem é justamente essa, leitores, aliar uma temática relevante a uma atividade de diversão, tornando os estudos sociais ainda mais tangíveis e atraentes.

Até a próxima.